Cultura para desopilar?

Uma vez li um livro chamado ” In Praise of Comercial culture”.
Veio-me imediatamente à memória  Ken Follett, um escritor comercial, erudito e imaginativo do qual já li muitas coisas em momentos em precisava de me entreter de uma forma inteligente. Se alguém diz Ken Follett, dirá Stieg Larson que captou espírito do tempo e se lembrou das lições de Sherlock Holmes (Millenium); Johnatam Littré que estudou literatura e escrita  criativa e por isso conhece todos os truques do ofício. E podíamos acrescentar  Alexandre Dumas (pai e Filho), Conan Doyle, Stephen King, Clancy e toda a vasta gama de escritores despretensiosos e cheios de talento,   do universo da espionagem e do policial, mesmo muitos e bons.  Acho que com Dashiel Hammet e John LeCarré o ponto fica demonstrado, até porque eles estão  no limar de outra coisa.

Agora, se eu olhar  aquelas sombras que estão dentro de nós mais à lupa leio Dostoievski e Fawlkner, se eu quiser refletir sobre a cultura europeia e a decadência do humanismo leio Mann e, se quiser, o Bellow, ,se eu quiser pensar o tempo e o fluxo da memória leio Proust, se eu quiser ter uma noção da aventura humana faço os possíveis por arranjar uma boa edição da Odisseia, se achar que a aventura humana precisa de uma versão diferente, leio o Joyce  e se estender a estética literária a domínios da não ficção terei de incluir Canetti, Nietzsche  ou a narrativas teológicas que são também grandes obras  da literatura. Se quiser uma epopeia de esquerda, prefiro a Condição Humana do Marlaux.  Ou então, se quiser perceber a decadência de classe e o espirito rural e misógeno onde nasceu um país de opereta imperial, leio o Cardoso Pires.   Mas continuo a ler o Hammeth , o Ken Follet e a supirar por precisar de mais tempo para voltar a ganhar o prazer pela banda desenhada, sendo que também aí “aprendo” sobre a literatura humana.   E o David Lodge, fica algures no middlebrow, como Dwight McDonald se referia à cultura média nos tempos em que essas categorias faziam sentido.  Antigamente, liam-se livros de “capa e espada”. Agora são livros de porrada, carago! Ou então, mangas bué de curtidas num site da Net.
Tudo isto para dizer que a vida e os seus retratos são multifacetados, não há narrativas únicas e todas são um diálogo com a Humanidade, uma interrogação sobre o destino destes pobres diabos que todos somos.  Por isso, se fala de letras e humanidades. Claro que se admitem perguntas incómodas, como sejam: então, já não há canône ?Independentemente disso, esta história do entretenimento e da seriedade está toda a precisar de ser esclarecida : entretenho-me muito seriamente  com a colecção Vampiro  e   medito sobre a natureza humana enquanto rio a bom rir com  bastantes passagens de Dickens ou de Eça de Queiroz.

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